Marcel Giró



Palmira Puig fotografando suas sobrinhas. Arenys de Mar.
Marcel Giró, 1954.
© Marcel Giró Estate / Toni Ricart Giró





© Marcel Giró Estate / Toni Ricart Giró



© Eduardo Salvatore




Palmira Giró

Biografia

Palmira Puig, também conhecida no Brasil como Palmira Giró, nasceu em 13 de março de 1912 em Tàrrega (Lleida) em uma família com uma forte tradição cultural e intelectual. Seu pai, um ilustre deputado republicano, morreu em 1925, deixando oito filhos.

Em 1933, junto com sua mãe, Palmira participou ativamente da criação de um grupo feminista de esquerda em sua cidade natal. Durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939), sua casa de família é confiscada e sua biblioteca é atirada pela janela. Palmira se estabeleceu em Barcelona, onde viveu até 1943, quando se mudou para a Colômbia para se juntar a seu marido Marcel Giró, com quem havia se casado por procuração um ano antes.

Palmira e Marcel se estabeleceram em São Paulo em 1948, onde viveram por quase 30 anos.



Em 1953, Marcel e Palmira abriram o Estúdio Giró, um dos mais importantes estúdios de fotografia publicitária do Brasil. Palmira teve um papel fundamental no estúdio, gerenciando todo o trabalho que foi feito, desde a produção, adereços e maquiagem até a supervisão do produto final.

Em 1956, Palmira tornou-se membro do Foto Cine Clube Bandeirante (FCCB), integrando um pequeno grupo de mulheres junto com a alemã Gertrudes Altschul (1904-1962), Barbara Mors (1925), Alice Kanji (1918-1992), Dulce Carneiro (1929-2018), entre outras.

A presença feminina no FCCB é um reflexo da condição feminina na sociedade brasileira dos anos 1950. A esse respeito, a pesquisadora Helouise Costa nota que “A grande maioria de seus associados era do sexo masculino, em geral, profissionais liberais de carreira ascendente, empresários e industriais que praticavam a fotografia como hobby. No âmbito do FCCB, eram os homens que ocupavam os postos de liderança, atuavam como membros do júri dos salões de fotografia, ministravam os cursos, assinavam os textos publicados no boletim informativo mensal, além de serem os responsáveis pela organização das exposições e pelos intercâmbios com outras associações do Brasil e do exterior. Quanto à presença feminina, as principais frequentadoras do Foto Cine Clube Bandeirante eram as esposas dos fotógrafos que se tornavam sócias, a fim de acompanharem seus maridos nas atividades sociais, tais como, excursões fotográficas, viagens, festas e recepções. Em 1946, foi criada a “Seção Feminina” do Clube que, sob a direção de Elza Benedict, reuniu, entre outras, Leda Leme Salvatore, Cesiria Yalenti e Elvira Brescia Palmério, cujos sobrenomes não deixam dúvidas quanto aos vínculos matrimoniais que tinham com conhecidos associados.”1

O interesse de Palmira pela fotografia humanista a levou a fotografar, junto com seu marido, as comunidades paulistanas e seus habitantes nos anos 70. Um trabalho pioneiro no qual ela capta não apenas suas difíceis condições de vida, mas também sua dignidade e beleza.



Em 1978, Marcel e Palmira Giró puseram um fim às suas atividades comerciais no Brasil e retornaram permanentemente à Espanha.

Palmira Puig morreu em Barcelona, aos 67 anos de idade, em 27 de setembro de 1979.

Em 2011, Toni Ricart Giró começa a organizar os arquivos de seus tios, constatando rapidamente que a obra de Palmira Puig é mais extensa e mais expressiva do que se supõe até então. Com a colaboração do curador Iatã Cannabrava, em São Paulo, e da galerista Rocío Santa Cruz, em Barcelona, a contribuição artística de Palmira Puig é redimensionada e passa a ter o devido reconhecimento, mais de 30 anos após sua morte. Novas perspectivas se abrem, sob a forma de exposições, publicação de ensaios críticos e a entrada em coleções fotográficas de museus internacionais, como o Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA), Museu de Arte de São Paulo (MASP), Société Française de Photographie (SFP), em Paris, e o Museu de Lleida.


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1. COSTA, Helouise. Presenças efêmeras: mulheres fotógrafas no Foto Cine Clube Bandeirante. In: Três autores do sexo fraco. São Paulo: Galeria Utópica, 2020, p. 14-15.


Referencias:
  • COSTA, Helouise. Presenças efêmeras: mulheres fotógrafas no Foto Cine Clube Bandeirante. In: Três autores do sexo fraco. São Paulo: Galeria Utópica, 2020, p. 14-15.
  • FOTO CINE CLUBE BANDEIRANTE. Site Oficial.
  • GALERIA ROCIO SANTA CRUZ. Site Oficial.
  • GIRÓ, Marcel; GIRÓ, Palmira. Saudades de São Paulo. Fotografies de Palmira Puig i Marcel Giró. Curadoria Rocío Santa Cruz. Barcelona: Palau Solterra/Fundació Vila Casas, 2020 [119 p.]. Exposição realizada no período de 2 fev. a 3 maio 2020.
  • PALLÀS BARTA, Marina. Palmira Puig Ximenéz: De Tàrrega al món a la recerca d’un ideal social e estètic. URTX Revista d´humanitats de l´Urgell, Tárrega, n. 34, p. 2-33, jul. 2020.
  • PEDROSA, Adriano (org.). Coleção Museu de Arte de São Paulo Foto Cine Clube Bandeirante. São Paulo: Masp, 2016.